MINAS GERAIS — No marco de 11 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), tragédia criminosa socioambiental provocada pela Samarco, Vale e BHP Billiton que devastou a Bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza, entre os dias 4 e 6 de novembro, a Jornada dos Atingidos e Atingidas da Bacia do Rio Doce. Com o lema "Povo em luta por soberania, reparação e direitos!", o ato reúne comunidades afetadas de diversas partes do estado para pautar a reparação integral dos danos socioambientais e econômicos.
A programação combina ações de preservação da memória, encontros comunitários e agendas políticas estratégicas com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Câmara Municipal de Belo Horizonte, órgãos do Governo Federal e representantes da equipe de transição do governador eleito, Cleitinho.

foto:Nívia Magno
Cobrança ao novo governo Novo e crítica ao legado de descaso
Durante a jornada, os atingidos vão entregar documentos e propostas à equipe do novo governo mineiro, Cleitinho Azevedo, que tomará posse em janeiro de 2027. O movimento aponta que a gestão de Romeu Zema e Matheus Simões deixa um legado marcado pela falta de diálogo com as comunidades, perseguição a movimentos populares, proximidade suspeita com mineradoras e graves dívidas ambientais e sociais, aprofundadas pelos crimes de Mariana e Brumadinho.
“O governo eleito herda um passivo social e ambiental profundo. A nova gestão tem agora a oportunidade histórica de romper com esse ciclo de descaso e colocar as vidas humanas e o meio ambiente acima dos interesses do setor minerário. Isso exige reparação efetiva e participação social real no Novo Acordo do Rio Doce", destaca Thiago Alves, da Coordenação Nacional do MAB.
Ele também alerta para a situação enfrentada por outras regiões do estado, como o Vale do Jequitinhonha e do Pardo, ameaçadas pelo projeto da barragem de Setúbal e pelas iniciativas do 'Vale do Lítio': “Não podemos aceitar projetos que excluam o povo de seu próprio território e de sua história. Reafirmamos com firmeza: o Vale é do povo, não do lítio. Nossa luta é por justiça, reparação soberana e pela garantia de que as populações atingidas sejam ouvidas e respeitadas no processo decisório", pontua Thiago Alves.

foto:Nívia Magno
Programação completa
Quarta-feira, 4 de novembro
07h às 10h: Aconteceu a entrega de mudas nativas personalizadas para motoristas e passageiros na MG-262 (Escola Família Agrícola Paulo Freire, comunidade de Boa Cama – Acaiaca/MG).
Quinta-feira, 5 de novembro
09h: Evento "11 anos da morte do Rio Doce" — Governador Valadares/MG.
10h: Ato de homenagem e memória em Bento Rodrigues de Origem — Mariana/MG.
18h: Reunião com representantes do Governo Federal na Comunidade Quilombola Vila Santa Efigênia — Mariana/MG.
19h: Encontro com a juventude e grupo de Hip Hop no bairro Santo Antônio — Mariana/MG.
19h: Solenidade sobre a reparação no Rio Doce na Câmara Municipal de Belo Horizonte (em parceria com a vereadora Luiza Dulci) — Belo Horizonte/MG.
Sexta-feira, 6 de novembro
09h: Encontro "Atingidos e atingidas na Bacia do Rio Doce: 11 anos de luta por soberania, reparação e direitos!" na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) — Belo Horizonte/MG.
14h: Grande Caminhada pela Soberania, Reparação Integral e Direitos — Belo Horizonte/MG.