O podcast Comunicação em Pauta desta semana conversa com o produtor de vídeo Alexandre Perdigão. Desde 1898, quando Afonso Segretto filmou a entrada da Baía de Guanabara e marcou o início do cinema no Brasil, as manifestações artísticas nunca mais foram as mesmas. Estava criada a sétima arte no país.
Alexandre atua como produtor de vídeo há 30 anos. Seu ofício atravessa a própria história de vida: filho de fotógrafo, cresceu em contato direto com as lentes e os equipamentos usados pelo pai, desenvolvendo desde cedo intimidade com o audiovisual.
Fisgado pelo teatro e vindo de uma família de artistas, foi aluno, estagiário e integrante da Companhia Drástica de Artes Cênicas, onde aprimorou seu talento nato e compreendeu a importância fundamental de uma cena bem dirigida. Do palco para o roteiro foi um caminho natural. Desde alfabetizado, Alexandre sempre carregou consigo um caderno de anotações, onde registrava ideias, observações e poesias.
No ano 2000, após criar diversos roteiros e adquirir experiência em direção, produziu o curta-metragem “Divina Sorte”, com o ator, comediante e humorista mineiro, Carlos Nunes. A obra foi premiada em vários festivais, consolidando sua decisão de se dedicar exclusivamente ao audiovisual.
Alexandre lembra que o avanço da tecnologia reduziu significativamente o tamanho das equipes de trabalho. Se antes eram necessárias quatro, cinco ou mais pessoas para gravar um pequeno vídeo, hoje, em muitos casos, três profissionais são suficientes. Funções comuns no passado, como os carregadores de equipamentos, tornaram-se raras ou praticamente extintas.
O mercado, que antes era dominado por poucas e grandes produtoras, passou por uma transformação com o barateamento e a popularização da tecnologia. Muitas grandes empresas deram lugar a inúmeras pequenas produtoras. Se, por um lado, essa abertura democratizou o acesso ao mercado, por outro, houve perda de apuro técnico, avalia o produtor.
Embora não produza conteúdo pensado exclusivamente para redes sociais, Alexandre reconhece a abertura proporcionada por essas plataformas. Hoje, mesmo na comunicação corporativa, as empresas compreendem a importância estratégica do vídeo. Ele destaca que é raro um material audiovisual ser utilizado em apenas um tipo de veículo, sendo necessária constante adaptação às especificidades de cada plataforma.
Essa multiplicidade de formatos, especialmente com a popularização do vídeo vertical, provoca estranhamentos e desafios, sobretudo nos enquadramentos, alterando a dinâmica tradicional do trabalho audiovisual e sendo necessário gravar em mais de uma versão para atender a demanda.
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