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Flotilha Global Sumud: entre a ajuda e o bloqueio
Por Administrador
Publicado em 31/07/2026 15:59 • Atualizado 31/07/2026 16:01
Política

BELO HORIZONTE, MG — Em entrevista exclusiva concedida a um pool de emissoras de Minas Gerais (Rádio Quintal de Viçosa, Liberdade de Ipatinga, Rádio das Gerais e ao Novo Jornal l), a militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimento de Afectados por Represas(MAR),  Beatriz Moreira, relatou os momentos de extrema violência e violação de direitos humanos sofridos pela delegação brasileira durante a interceptação da Global Flotilha. 

A missão humanitária marinha tinha como objetivo romper o cerco ilegal imposto à Faixa de Gaza e levar apoio e suprimentos essenciais ao povo palestino, que fazia parte da flotilha de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, relata ter sido agredida por soldados israelenses durante Ela estava em uma embarcação que foi interceptada em 18 de maio de 2026. 

Beatriz, que é natural de Belém do Pará e integra a linha de frente de movimentos sociais, destacou que a frota partiu de Barcelona em 12 de maio, pautada estritamente pelos princípios da ação direta não violenta. Contudo, a resposta das forças de ocupação israelenses foi marcada por uma desproporcionalidade brutal e requintes de crueldade.

"Nós sabíamos que íamos ser recebidos com uma força desproporcional, mas a violência física foi em um nível que não esperávamos. Havia o objetivo de passar uma mensagem de intimidação para silenciar a solidariedade global," afirmou a ativista.

Solidariedade e resistência coletiva 

A delegação brasileira enfrentou dias de forte tensão e detenção arbitrária. A ativista destacou o ato de solidariedade e firmeza do grupo que, sob o lema "ninguém solta a mão de ninguém", adiou o retorno ao Brasil para garantir que todos os compatriotas retornassem juntos, prestando especial solidariedade ao médico pediatra mineiro Dr. Cássio Guedes Pelegrini Júnior (de Santa Rita do Sapucaí), que sofreu agressões severas durante a abordagem militar.

Apesar das marcas físicas nos pulsos, joelhos e costelas, Beatriz enfatizou que o sofrimento da delegação representa apenas uma fração mínima da dura realidade enfrentada cotidianamente pelas populações de Gaza, que acumulam milhares de vítimas fatais — entre elas mais de 17 mil crianças — e milhares de presos políticos sob o atual cenário de genocídio e limpeza étnica.

Conexão entre as lutas territoriais 

Durante a entrevista, Beatriz conectou a luta do povo palestino à defesa dos territórios tradicionais e das populações atingidas por barragens no Brasil e na América Latina. Segundo a ativista, a mercantilização da água, da terra e da energia serve como ferramenta de opressão sistêmica e imperialista tanto na Amazônia quanto em Gaza.

"Quando nós lutamos pela terra na Amazônia, nós também estamos lutando pela terra da Palestina. O internacionalismo dos povos é um preceito que guia a nossa luta diária e a construção de pontes de solidariedade," pontuou.

 

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