Em meio ao avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) nas empresas, especialistas reunidos no Minas Summit 2026 defenderam que tecnologia, por si só, não garante resultados. Durante os dois dias do evento, realizados em 17 e 18 de junho, no BeFly Minascentro, em Belo Horizonte, palestrantes destacaram a importância da estratégia, da mensuração de resultados e da valorização das relações humanas para a sustentabilidade dos negócios.
A Rádio das Gerais, por intermédio de Vera Lima Bolognini, acompanhou a programação em uma cobertura realizada por um pool de comunicação coordenado pela Studium Eficaz Comunicação, com participação da Central Eficaz de Notícias e do Jornal Pordentro. O evento reuniu mais de 10 mil participantes, segundo a organização, e trouxe ao palco especialistas das áreas de tecnologia, marketing, vendas e experiência do cliente.

Vera Lima Bolognini e Adm. Daniel Gomes (CRA-MG)
Entre os destaques esteve o palestrante, escritor e especialista em inovação, Arthur Igreja, que chamou atenção para os impactos da chamada economia da atenção e para os modelos de negócio por trás das plataformas de Inteligência Artificial.
Ao abordar tendências tecnológicas e inovação, ele alertou para o risco de usuários transferirem para softwares decisões e necessidades que exigem relações humanas genuínas.
“Onde vamos encontrar valor? Em tudo aquilo que é intrinsecamente humano”, afirmou.
Para Igreja, a expansão das ferramentas de IA deve ser acompanhada por uma reflexão crítica sobre seus limites e sobre o papel das pessoas na construção de confiança, relacionamento e tomada de decisão.

Jony Lan, professor e especialista em marketing, foi um dos palestrantes do evento (Foto: Guilherme Breder)
Outro palestrante que provocou reflexões sobre o uso da tecnologia foi Jony Lan, professor e especialista em marketing digital, vendas e Inteligência Artificial. Durante a palestra “A Revolução Agêntica: Ferramentas e Estratégias para Negócios mais Lucrativos e Produtivos”, ele defendeu que a adoção de IA precisa estar conectada a resultados concretos.
“A pergunta não é se você está usando a IA. Mas que resultados você já tem ao usar a Inteligência Artificial?”, questionou.
Segundo Lan, o uso de ferramentas tecnológicas só se justifica quando gera ganhos efetivos de produtividade, eficiência operacional e crescimento para as empresas.
Cliente silencioso exige atenção das empresas
A experiência do consumidor também esteve no centro dos debates do Minas Summit. O CEO da Seu Cliente Oculto, Bruno Vasconcelos, apresentou dados que apontam para um desafio muitas vezes ignorado pelas organizações: a insatisfação não manifestada dos clientes.
“Para cada cliente que reclama, outros 26 ficaram insatisfeitos, mas não reclamaram”, destacou.
O dado reforça a necessidade de que empresas desenvolvam mecanismos permanentes de escuta e monitoramento da jornada do consumidor. Segundo o especialista, a ausência de reclamações não deve ser interpretada como sinal de satisfação.
Tecnologia e empatia
As discussões realizadas durante o Minas Summit 2026 apontaram para um consenso entre os especialistas: a Inteligência Artificial tende a ocupar espaço cada vez maior nas operações das empresas, mas dificilmente substituirá competências humanas como empatia, relacionamento, criatividade e capacidade de compreender necessidades complexas dos clientes.